Argumentos econômicos para a legalização das drogas
O mercado de drogas, como qualquer outro, é formado por oferta e demanda. Do lado da demanda, o combate às drogas se dá pela educação básica de qualidade, no sentido de evitar que a criança venha a se tornar um futuro consumidor. Ou seja, educação e campanhas atacam diretamente as “preferências do consumidor”, que são a fonte da “curva de demanda”.
Do lado da oferta, a repressão policial traz, como consequência, um menor número de ofertantes. O mercado se torna, então, oligopolizado, ou monopolizado, e as consequências econômicas são uma menor quantidade ofertada a um preço superior.
O preço de monopólio/oligopólio é o que permite os lucros extraordinários, que, por sua vez, viabilizam a compra de fuzis, policiais, burocratas e políticos.
Legalizar ou não é uma escolha entre dois cenários:
No cenário atual, o consumo de drogas por habitante é menor. Em contrapartida, há grande violência associada ao tráfico.
No cenário da legalização, o consumo de drogas por habitante aumenta. Mas a medida levaria o mercado a uma situação próxima à da “concorrência perfeita”: grande número de ofertantes, baixo preço e reduzida margem de lucro. A violência associada ao tráfico praticamente desapareceria, se compararmos com o cenário atual.
Trata-se, então, de escolher entre mais drogas e menos violência, ou mais violência e menos drogas.
Acredito que os prejuízos das drogas são menores que os da violência. O elemento decisivo para esta minha crença é a baixíssima elasticidade-preço da demanda por drogas: quem demanda, comprará num cenário de legalidade ou ilegalidade, baixos preços ou altos preços. Portanto, os prejuízos para a “saúde pública” serão incrementados muitíssimo menos do que os benefícios com a redução do poder econômico do crime organizado.
—————-
Há um comentário sobre o impacto que a medida traria nas relações internacionais brasileiras:
Traficantes internacionais podem buscar aumentar a participação do Brasil na cadeia de negócios, o que pode levar a pressões dos governos de outros países contra a medida. Mas se somos um país soberano (!!??), ora, isso não seria grave empecilho…